segunda-feira, 25 de julho de 2016

Dracomics Shonen, Resenha, Anime Friends, Processo Criativo e Novos Contos

No mês de julho tive o prazer de estar presente em dois dias do Anime Friends (AF) para o lançamento da antologia Dracomics Shonen Vol.1, que conta com uma história de minha autoria ilustrada pelo ótimo Heitor Amatsu. E aproveitando o lançamento, como adiantei em outra postagem, revisei dois dos meus contos e lancei mais duas obras na Amazon, todas agora comercializadas por apenas R$ 1,99.

Sobre a Dracomics Shonen


A Dracomics Shonen Vol.1 é uma antologia de histórias em quadrinhos organizada e publicada pela editora Draco. A obra reúne uma série de histórias influenciadas pelo padrão mais popular de quadrinhos de nomenclatura shonen, que tem como público-alvo meninos entre 12 e 18 anos de idade.

No Japão as histórias em quadrinhos são publicadas em antologias, cada revista possui uma nomenclatura de público-alvo:
  • Kodomo: Crianças de idade variedade (identidade de gênero igualmente variada, mas também pode ser especificada);
  • Shonen: Meninos entre 12 e 18 anos de idade;
  • Shoujo: Meninas entre 12 e 18 anos de idade;
  • Seinen: Homens entre 18 e 40 anos de idade;
  • Jousei: Mulheres entre 18 e 40 anos de idade.
Coro Coro Comic (Kodomo) – Shonen Jump (Shonen) - Nakayoshi (Shoujo) - Young Magazine (Seinen) - Zipper (Jousei)
Dispor de uma classificação indicativa por sexo e idade não quer dizer que as obras vão seguir um gênero. É possível abordar quase todos os tipos de temática nessas nomenclaturas, mas cada uma vai acompanhar o perfil editorial de cada revista. Como você pode ver, a Young Magazine mistura ensaio sensual com mangás, enquanto a Zipper é uma revista de moda. Ou seja, essas nomenclaturas não se aplicam apenas as histórias em quadrinhos. Mas focando nos mangás, no caso do shonen, o gênero mais abordado é o de aventura, aquelas com um senso de divertimento, amizade e superação, algo muito comum na Shonen Jump, o maior expoente das revistas para meninos no Japão.

Como fica a Draco nisso? A Dracomics Shonen é voltada para meninos? Não! Usar o termo “shonen” no título é apenas uma maneira de atrair o público acostumado a consumir as histórias mais populares que saem nesse tipo de revista. As pessoas do meio reconhecem obras como Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball, Naruto e Fairy Tail como shonen, portanto, o público fará a associação de que a antologia da Draco conta com histórias que seguem esse padrão de narrativa.

Porém, diferentemente do mercado editorial japonês, a Dracomics Shonen é uma antologia de quadrinhos que pode ser consumida por qualquer pessoa que aprecie uma boa leitura divertida e cheia de aventuras, independente do seu sexo ou idade.

Você pode adquirir a revista através desses links: Draco; Amazon; Comix; Livraria Cultura; Livraria da Folha.

Dracomics Shonen – Resenha


Dracomics Shonen Vol 1
Sabe aquelas resenhas supimpas de legais que você vê em blogs literários? Então, você não verá isso aqui. Esteja avisado.

Gostei bastante da leitura da Dracomics Shonen Vol.1. Como uma boa antologia, algumas histórias são melhores do que as outras, mas por fazer parte da publicação eu fico com sentimentos conflitantes semelhantes as minhas opiniões sobre os livros da Carolina Munhoz; é muito difícil separar o trabalho do autor. Então, ao redigir esse parágrafo, fiquei pensando em como resenhar a revista sem ficar maluco. A conclusão foi fazer breves comentários sobre cada história. Veja a seguir:

• Divisão 5 - Rafael Santos (roteiro) e Wagner Elias (arte): A primeira página é muito impactante por causa da gralha cabulosa de terno. O estilo da arte combina muito bem com o roteiro, o que deixou a história com um bom estilo “shonen non-sense com sense”;

• Necrônibus - Jun Sugiyama (roteiro) e João Eddie (arte): Das histórias da revista acho que Necrônibus é a mais fechadinha de todas. O quadrinho consegue combinar bem conflitos sentimentais com leves toques de humor;

• Mestre da Morte - Rodrigo Ortiz Vinholo (roteiro) e Erick Sama (arte): Uma história esquisita. Não consegui entender muito bem alguns detalhes, confesso. Mas no meio dessa confusão boa, o Mestre da Morte tem coisas muito importantes para dizer;

• O Rei dos Elementos - Henrique S. Ribeiro (roteiro e arte): O Rei dos Elementos lembra um momento de flashback de uma série de TV; a história começa sem começar e termina sem terminar. A arte é muito boa e apreciei bastante alguns pontos da dupla de vilões;

• Physics - Eudetenis (roteiro e arte): Essa era uma das histórias que eu mais queria ler por causa da garota samurai da capa. No começo torci o nariz para o bóson, mas depois gostei muito do uso da temática científica/fantástica. Physics tem a arte mais detalhada e uma das melhores composições de quadros e ação da revista;

• O Arquipélago dos Espíritos - Dulcelino Neto (roteiro) e Heitor Amatsu (arte): Sabe todo aquele discurso de histórias de aventuras divertidas proeminentes de um estereótipo shonen? Então, pensei nisso e acabei fazendo outra coisa. O Arquipélago dos Espíritos tem uma vibe mais investigativa. Adorei trabalhar com os dois protagonistas e gostaria de ver a arte em quadrinhos de um Heitor com um pouco mais de tempo para trabalhar. A arte dele é muito boa e o cara realmente tem um grande potencial futuro, mas que fique claro, ele já é bom no presente;

• Battle Fantasy - Gabriel Rodrigues da Silva (roteiro) e Jonas Luiz da Silva Júnior (arte): Existem milhões de histórias no mundo de pessoas que pegam os contos de fadas e modificam à sua maneira, mas são poucas as que conseguem fazer isso de um modo interessante. Além do Éter do Rapha (Draccon), posso colocar Battle Fantasy nessa seleta lista de revisitações interessantes;

• Maneki Knight - Raoni Marqs (roteiro e arte): Olhei para a cara do protagonista de Maneki Knight e cheguei à conclusão de que não gostava daquele sujeito. Sério, não gosto da cara dele! E não gostando da cara dele, li o quadrinho e me deparei com o que pode ser facilmente uma das melhores histórias dessa antologia.

Se for para chegar em uma conclusão, posso disser que Divisão 5, Physics e Maneki Knight são as histórias que mais se aproximam do espírito padrão do shonen de aventura e porrada, portando, as que mais merecem destaque na antologia. Como mencionei, o meu querido O Arquipélago dos Espíritos não tem essa vibe de lutas e super cenas de ação. Não acredito que isso seja uma falha, estou fazendo apenas uma constatação.

Da esquerda para a direita: Divisão 5, Physics e Maneki Knight.
Physics e Maneki Knight são as histórias que mais me impressionaram.

Physics é realmente muito detalhado. O cenário, personagens e as cenas de ação são excelentes, o que me faz pensar que a dupla Eudetenis (Paulo Morais e Giovana Leandro) teve um bom tempinho para confeccionar todo o quadrinho. Se aqueles carinhas de Bakuman fossem bons, eles seriam o Eudetenis.

Maneki Knight, por sua vez, foi impressionante pelo motivo explicado anteriormente. A história está pronta para virar uma série. Tem carisma, universo, arte de muita qualidade e roteiro certeiro. Não gosto da cara daquele gato filho da puta, mas sua risada maléfica é maravilhosa.

E, por pura curiosidade, acabei descobrindo por acaso que já havia lido uma história do João Eddie antes de pegar minha edição da Dracomics Shonen. Me refiro, e recomendo, a interessante Thank You, que foi selecionada no Manga Audition. E sobre Battle Fantasy, eu leria de boa uma história da Chapeuzinho Vermelho com o Pinóquio.

Se você quer se divertir, passar o tempo lendo uma coletânea em quadrinhos feita com dedicação e muito bem editada pelo Raphael Fernandes e o Alessio Esteves, é a Dracomics Shonen que você tem que comprar.

Como foi o Anime Friends


Eu sou aquele tipo de pessoa que aprecia esse tipo de evento, mas que raramente aparece em um. Com exceção da Comic Com Expirence (CCXP), Bienal do Livro e a área dos fudidos expo da Campus Party, o meu conhecimento sobre eventos populares é limitado a uma festa junina de rua organizada pela igreja perto da minha casa – ao qual não apareço por lá a alguns anos.

Foi o meu primeiro Anime Friends.

Isso pode significar muita coisa ou pode não significar coisa nenhuma. O importante é que a Dracomics Shonen Vol.1 tem uma história minha, o meu primeiro roteiro de histórias em quadrinhos e o meu primeiro trabalho impresso.
Anime Friends 2016
Era esperado um momento emocionante quando segurei o exemplar da revista, mas na verdade não escorreram lagrimas e minhas mãos não tremeram. Foi de boa. Quando fiz, a oito anos atrás, um curso profissionalizante de design gráfico, acabei tendo contato com essa relação de produção e impressão, então acredito que isso me deixou imune ao efeito do papel e tinta. Legal mesmo foi receber o e-mail dos editores confirmando que minha história havia sido selecionada. Uma real conquista, por assim dizer.

Voltando ao AF, a minha breve jornada no evento foi curiosa. Sou uma pessoa tímida e levemente esquisita, então isso poderia me deixar muito nervoso dentro do estande na hora de conversar com alguém, seja um dos editores ou futuro leitor. Por sorte, ou por amadurecimento, isso não aconteceu. Não sou a pessoa mais sociável do mundo, mas vendo alguns indivíduos que transitavam nutridos a base de suco de saco pelo estande da Draco, percebi que também não sou o mais esquisito.

Isso, de certo modo, é um pouco reconfortante.

A experiência de ter participado do AF, os dois sábados, foi bastante gratificante. O segundo dia foi o mais legal, pois a movimentação estava maior e a chuva fez com que o público buscasse proteção na área dos estandes, deixando a Draco bastante movimentada. Não lembro do rosto da pessoa que recebeu o meu primeiro autografo, mas lembro de ter conversado o suficiente com um rapaz ao ponto de o convencer a comprar uma edição da Dracomics – no embalo ele também levou um Rei Amarelo.

Jonas, obrigado. Acho que o nome dele era Jonas, mas se não for, agora será.

Fora isso, pude dar algumas voltas dentro do evento. Nos dois dias tive a oportunidade de gastar algum dinheiro com quadrinhos em promoção e outros por preço de capa. Durante a palestra da Draco, no primeiro sábado do evento, pude ver o trabalho da “mídia especializada” cobrindo via twitter e filmando o bate-papo da mesa redonda da editora. Comentei isso no twitter, mas é bom ressaltar a dedicação e competência desse pessoal, destacando a minion Karol do Gyabbo.
Estande da Editora Draco no Anime Friends
Não pude, também não quis nessa edição, andar por todos os lados do evento, fiquei mais concentrado em meus afazeres. No entanto, em mais ou menos uma hora, durante os dois dias, tentei observar as famosas peculiaridades do AF. Eis minha conclusão:

• Cosplayers: Não parei para ver a quantidade de cosplays ao qual gostaria de ter visto. Acredito que a maioria fique concentrada justamente no lado oposto onde fiquei durante o evento. Mas, por sorte, consegui ver alguns bem legais. Havia no AF uma Saber bem dedicada, uma garota muito bonita que não sentia frio (ela ficou um bom tempo parada na frente do estande de camisetas do lado da Draco), muitos personagens de Naruto, uma garota que quase perdeu seu rabo de raposa, um trio de Nozaki-Kun, uma Natsu, uma Lucy, uma Mami Tomoe após um trágico acidente, um Seiya mais incomodo do que o personagem original e um Furry que foi honestamente ovacionado;

• Suco de saco: Cocaína líquida;

• Sua waifu no travesseiro: As pessoas realmente compram fronhas de travesseiros com suas amadas estampadas categoricamente desnudas. Não cabe a mim julgar, então não vou julgar vai que eu compro um dia, né?.

• Falta cultura japonesa: Faltou cultura japonesa;

NUDES EVERYWHERE
• Plaquinhas: No AF eu vi uma jovem moça, com um pouco mais de vinte anos, baixinha, com uma placa escrito “2 Selinhos por R$ 1,00”. Isso me fez perceber que a crise financeira do país realmente afeta todos os setores possíveis, até os beijinhos estão desvalorizados hoje em dia. Havia muitas plaquinhas, a própria Draco tinha uma;

• Mangás com descontos: Os descontos não são lá essas coisas, mas nesse quesito posso destacar a Newpop e a própria editora Draco, ambas ofereciam descontos honestos. Uma e outra loja tinha desconto específicos em produtos específicos. A Panini chegou a oferecer 20% em todo o seu catálogo no segundo sábado;

• Toquinhas: Muitas toquinhas;

• Yaoi: Elas sentem o cheiro do Yaoi! Um grupo de três garotas andavam distraídas, mas sem olhar para o lado uma sentiu a presença do Yaoi, arregalou os olhos e correu em direção ao estande da Draco. Isso aconteceu basicamente nos dois dias em que estive presente. Para quem não sabe, a Draco oferece a CURA PELO LIMÃO em cinco títulos originais de Yaoi;

• Yuri: Não tinha Yuri. Não vi Yuri. Talvez a Newpop lance algum ou a Draco faça no futuro, não sou capaz de opinar sobre a cura pela laranja;

• Hentai: Você precisa saber para onde olhar;

• Desorganização: Até onde vi, tudo bem organizado. Fui bem atendido na entrada VIP nos dois sábados;

• Pessoas esquisitas: O importante é ser feliz.

O processo criativo de “O Arquipélago dos Espíritos”


Em agosto de 2015 a editora Draco anunciou a seleção para sua mais nova antologia, a Dracomics Shonen. De imediato considerei participar, mas como eu estava escrevendo um livro na época, optei por focar no trabalho e simplesmente ignorei a seleção para poder me dedicar a minha história que perdurava a um bom tempinho.

Como diria Rihanna: WorkWorkWorkWorkWork
Hoje digo que minha escolha foi bem-feita, pois o livro está bem bacana. Mas voltando ao quadrinho, quando terminei o livro, mais ou menos no final do ano, resolvi me afastar da história para poder revisar depois. Nesse tempo optei por escrever contos e fui dar uma olhada na Draco com o intuito de ver se havia algum processo seletivo aberto. Por acaso do destino, redescobri a Dracomics e percebi que ainda faltava mais ou menos um mês para o fim da seleção.

Respirei fundo e decidi participar.

Desenvolvendo o contexto da história:

No edital eles mencionaram o site de quadrinhos gratuitos da editora, abrindo uma oportunidade de continuidade da história após a antologia, e também diziam que “os roteiros e as artes devem ter influências dos mangás shonen, mas estamos abertos aos mais diversos estilos e gêneros (terror, fantasia, ficção científica, humor, policial etc.), desde que tenham muita aventura e diversão”.

Como eu tinha pouco tempo, resolvi procurar entre as minhas ideias alguma que combinasse com a proposta de seleção da Draco. Nos meus rabiscos eu tinha uma história sobre dois agentes secretos que combatiam o sobrenatural: fantasmas, demônios, jacaré no esgoto e afins. Era uma pegada de fantasia urbana, por assim dizer.

Os personagens em questão consistiam em um cara que tinha relações com o oculto que acabara de chegar na agência de assuntos sobrenaturais e uma mulher estilo FBI. Rapaz místico e garota de ação. Pura influência da minha querida Olivia Dunham. Para a proposta da antologia o estilo urbano não me parecia muito agradável, pois os mangás shonen de porrada de mais destaque possuem universos próprios, então para seguir esse padrão, eu precisava desenvolver um universo próprio para os meus dois personagens sem nome.

Eu queria um ambiente controlado, não muito espalhafatoso, mas que pudesse ser expandido paulatinamente na continuidade de uma narrativa. A ideia de existir um conjunto de ilhas onde todas as assombrações do mundo se encontram surgiu logo em seguida dessa linha de raciocínio.

Assim nasceu O Arquipélago dos Espíritos.

Feito isso, comecei a compor o universo onde a história se passava. Na versão urbana os personagens pertenciam a uma agência (polícia federal ou qualquer coisa parecida), mas como nesse caso o conceito era a relação das ilhas, mudei o contesto para uma comitiva, tipo a ONU, OTAN e semelhantes. Os países que se encontram ao redor do arquipélago seriam os responsáveis por fazer o exorcismo das ilhas. Simples assim.

O próximo passo foi desenvolver a história em si. Como a minha influência era das séries americanas, e como a seleção da Draco dizia que a publicação seria “uma espécie de peneira para conhecermos e lidarmos com novos autores e séries”, resolvi pensar em algo relacionado a um piloto de série de TV norte-americana. A história se encerra em si, como um caso da semana, mas o universo pode ser continuado e expandido facilmente.

A primeira parte da história permaneceu a mesma da versão urbana. O protagonista masculino acabou de chegar, então o leitor conheceria o universo através dos seus olhos. Clichê, mas funcional. A protagonista feminina não sofreu alterações.

Depois disso eu precisava de uma história para o “piloto”. A primeira ideia foi de uma casa assombrada, que evoluiu para a narrativa que vocês podem acompanhar no quadrinho publicado na antologia.

Pesquisando e aprendendo a escrever um roteiro de histórias em quadrinhos:

Nativa Americana (Hopi)
Eu costumo cair de cabeça na pesquisa após terminar de fazer muitas anotações sobre as características dos personagens; diálogos soltos, cenas da história, dentre outras coisas. Como O Arquipélago dos Espíritos não precisava, naquele momento, de muita pesquisa específica, visto que era uma história curta, minha maior preocupação foi a respeito de como escrever um roteiro.

Todavia, começando pela pesquisa de enredo, eu me aprofundei apenas em duas coisas, a segunda explico depois, mas a primeira foi o protagonista masculino. O meu protagonista na versão urbana nasceu como um cara divertido, que não tem medo de se sujar e, talvez, tivesse alguns métodos ortodoxos. Conforme pensava nele o personagem acabou virando um homem negro, mas na hora de fazer o quadrinho optei por ser de ascendência indígena. Para não cair muito no estereótipo indígena místico, logo de cara o defini como um rapaz humilde de trajes de moletom.

O meu índio é um pele-vermelha, não um tupi-guarani. Por causa disso fiz uma longa pesquisa pelos nativos norte-americanos. Li algumas matérias a respeito e cheguei na tribo Hopi, de onde veio o nome do protagonista: Chu’a.

Chu’a significa cobra no dialeto da tribo Hopi. Eu queria que o personagem tivesse algo relacionado a um animal pouco convencional a um herói e que também não fosse um combatente, mas sim de suporte, por isso ele empunha um escudo. Na minha cabeça o animal poderia ser uma serpente ou escorpião. Como a cobra em Hopi é uma palavra simpática, acabei optando por Chu’a. Estudei a gramática e os fonemas na língua indígena, mas ainda não sei exatamente qual é a pronuncia correta, que pode variar em Si-ru-a e Si-ráu-a.

A minha próxima pesquisa foi a respeito da estrutura de roteiro. Eu nunca havia escrito um roteiro de histórias em quadrinhos na minha vida. Eu só tinha duas experiências com quadrinhos: uma história nunca terminada de Pokémon, ao qual eu fazia com bonecos palito em losangos sem angulação; e uma história para a escola, segundo ano do ensino médio, ao qual minha professora categorizou como ofensiva – ela estava certa.

Desse modo, dei uma olhada em alguns guias básicos de roteiro e observei duas revistas que eu tinha em casa. Os guias em questão são esses: Um, dois e três. Tinha mais um, só que perdi o link. As revistas foram respectivamente o encadernado de Kick-Ass e o primeiro volume de Ledd. Os dois quadrinhos têm algo em comum: no fim das revistas contém uma parte do roteiro em texto. Foi isso que usei para estudar. Se não estou engano, A Piada Mortal também tem um pedaço do roteiro do quadrinho, mas não cheguei a usar essa revista como exemplo.

Outra coisa que me influenciou foi o próprio texto de seleção da Draco, lá eles explicam como deve ser a formatação do roteiro para envio, então isso foi realmente bem útil.

Na hora de fazer o roteiro eu escrevi a história como o solicitado pelo edital da seleção, que era fazer uma sinopse e um resumo da história completa. O resumo foi feito da mesma maneira ao qual eu trabalho fazendo contos e romances, então foi bem simples; escrevi o que acontecia sem detalhes ou diálogos. A sinopse você pode ler a seguir:

No meio do oceano existe um conjunto de ilhas chamado O Arquipélago dos Espíritos. As ilhas, em especial a gigante central, são assombradas por fantasmas provindos de todos os cantos do mundo. Durante uma madrugada nublada o jovem Chu’a chega em uma das pequenas ilhas sobressalentes para assumir o posto de investigador sobrenatural ao lado de Bianca Fulmine, veterana de incursão e sua mais nova parceira. A primeira missão da dupla é resolver a aparição de um espírito animal raivoso que assombrou a residência de um casal de idosos.

Até chegar ao roteiro final acabei passando por alguns processos: Storyline; Script; e, finalmente, o Roteiro devidamente formatado.

Quadrinização do roteiro:

O roteiro foi escrito, finalizado e enviado em mais ou menos dez dias com uma ou duas horas de trabalho diário. Depois disso, após um mês do envio do material, fiquei pensando que a minha história era uma merda e que eu jamais seria selecionado. Basicamente aconteceria o mesmo que na antologia de Monstros Gigantes: rejeição da história.
Eu sou o Tierno e a Serena é a seleção de Monstros Gigantes
Felizmente, estava redondamente enganado. Em fevereiro recebi um e-mail de parabenização por ser selecionado para a antologia. Pouco tempo depois a editora Draco tornou isso oficial, divulgando em seu site e enviando o contrato aos participantes. Foi na divulgação que tive conhecimento da pessoa que desenharia a minha história, o Heitor Amatsu.

Bianca Comparato <3
Obviamente fui pesquisar para saber quem era esse sujeito. Olhei sua arte rapidamente, gostei, e fiquei aguardando instruções dos editores para dar continuidade ao trabalho no roteiro e, posteriormente, prosseguimento com a quadrinização.

Nesse meio tempo, enquanto os contratos eram devidamente confirmados, mandei os parabéns pela seleção para o Heitor e um dos editores, não lembro qual, sugeriu para que eu enviasse o roteiro para o ilustrador começar a trabalhar nos personagens.

Além do solicitado, enviei referências para ele desenhar os dois protagonistas. A referência do Chu’a foi um vídeo do Conor de Assassins Creed 3 (também poderia ser o Sokka de Avatar, mas na época não lembrei dele); para a protagonista feminina recomendei fotos da maravilhosa Bianca Comparato. Essa excelente atriz não só deu o nome da minha protagonista, como também foi inspiração física para a personagem. Concedi autonomia para o Heitor escolher qual foto dela utilizar como referência, visto que a Bianca pode ser encontrada em “versões” cabeluda, de cabelo curto e carequinha (vide plano de fundo desse blog).

Recebi em meu e-mail essa imagem um dia depois de enviar a mensagem para o Heitor:

Bianca e Chu'a
Foi só depois desse estudo de arte que tive real noção de que o Heitor era realmente um puta de um artista. Achei esquisitas as expressões carrancudas dos personagens, fiquei por um bom tempo pensando que ele iria desenhar a história com uma pegada mais sombria, mas isso foi apenas a ilusão de uma arte conceitual e nada mais. Da arte original eu pedi para ele tirar a saia e o salto-alto da protagonista, pois como ela trabalha em ilhas e barcos, saias e salto-altos não são muito recomendados.

O Heitor seguiu fazendo artes conceituais conforme os editores não me enviavam o texto com observações.
Assombração, Piratas, Bianca com uniforme da marinha e Chu'a 
Continuando o processo, o meu trabalho voltou à tona quando recebi os indicativos de alterações comentados pelos editores. Não tive que mudar a história em absolutamente nada, mas fiz algumas correções gramaticais, alguns erros e outros detalhes que melhorariam a leitura.

Versão final do design da Bianca
Durante essa etapa, de fazer algumas alterações no texto, percebi que a Bianca permanecia com o mesmo perfil de aparência da versão de fantasia urbana. Ou seja, uma agente do FBI trabalhando em uma estrutura militar em um arquipélago não faz muito sentido, principalmente pelo contexto da história. Raciocinando isso, mudei a base da comitiva, saíram os federais e entraram de vez os militares. Essa alteração mudou completamente o universo do Arquipélago dos Espíritos, mas como estamos falando de um episódio piloto, a história permaneceu sem alterações, pois toda a hierarquia militar não aparece nesse momento da aventura.

Como a história acontece em um arquipélago, o lado militar em questão é da marinha. Marinha do Brasil, mais especificamente. Voltei para as pesquisas (aquela segunda aprofundada que mencionei anteriormente) e me informei mais sobre a marinha para poder instruir o Heitor corretamente. Cheguei a enviar para ele um PDF com o regulamento de vestimentas da marinha brasileira, o que acabou resultando na mudança no design de vestimentas da Bianca.

Algum tempo depois o Raphael e o Alessio confirmaram que o roteiro estava liberado para quadrinização. Nesse ponto começou a maior parte do trabalho do Heitor. Ele fazia os rascunhos de uma ou três páginas, me enviava e posteriormente finalizava. O processo foi demorado, pois de vez em quando eu solicitava uma ou outra mudança.

Um ponto interessante de toda essa etapa são as alterações e liberdade de criação que o Hetior teve sobre o roteiro. Como estávamos com pouco tempo, ele não chegou a me enviar sua opinião sobre a história. Isso me deixou um pouco preocupado, pois a opinião dele era importante para que a minha história se tornasse nossa história. Entretanto, durante a quadrinização ele naturalmente fazia suas alterações, às vezes excluía um quadro ou simplesmente mudava a disposição dos mesmos.
Arte conceitual e rascunhos de duas páginas
Quando queria algo muito específico da arte dele, ao qual havia falhado em descrever corretamente no roteiro, eu acabava desenhando porcamente em um papel para poder exemplificar. Cheguei a mandar também um exemplo de tonalidade de pele do Chu’a, todos os demais personagens aparentavam ser caucasianos, queria que ficasse claro que ele era pardo.

Meu exemplo e a versão do Heitor, esquerda e direita, respectivamente.
A HQ foi finalizada pelo Heitor com conversas entre ele e os editores, que voltaram a pedir alterações no texto (correção gramatical) durante a revisão final. Acertado devidamente os detalhes da história, desenhos e acabamento, o projeto foi devidamente anexado a Dracomics Shonen Vol.1 e impresso em conjunto as demais histórias em quadrinhos da antologia.

10 Curiosidades da história de O Arquipélago dos Espíritos:
  1. O escudo do Chu’a é de madeira por que foi feito por índios;
  2. O escudo é bem antigo, por isso que é cheio de rachaduras;
  3. O Chu’a ainda não tem sobrenome;
  4. O Chu’a é um personagem de suporte por que eu queria que ele fosse diferente dos protagonistas padrão dos shonens de porrada;
  5. Bianca é um nome italiano que significa branco, por isso que seu sobrenome também é em italiano;
  6. Fulmine significa relâmpago em italiano;
  7. Existe realmente um motivo para o sobrenome da personagem ser Fulmine;
  8. A Bianca é uma oficial intermediária da marinha, seu título é de Capitã-Tenente da marinha;
  9. A Bianca já foi uma oficial superior da marinha, Capitã de Mar e Guerra, mas foi rebaixada;
  10. O Arquipélago dos Espíritos é extremamente perigoso durante à noite.

Novos contos publicados na Amazon


Aproveitando o lançamento da Dracomics Shonen Vol.1, resolvi finalizar mais alguns trabalhos, não tive tempo e competência para todos, mas tenho orgulho de dizer que agora tenho quatro contos independentes comercializados na Amazon! Dois revisados e mais dois títulos novos.


E para celebrar o lançamento, estou colocando todos em promoção, você pode adquirir os quatros títulos de graça aqui.

Sobre as obras:

A Alma Perdida - Muito Além do Oeste (Suspense, Western e Fantasia): Após acordar sozinho em uma terra sem vida, um homem enigmático terá que desvendar os mistérios da cidade sem nome para poder escapar de um pesadelo sem fim. SkoobCompre.

Rei e o Monstro Gigante (Infantojuvenil): Com apenas oito anos de idade uma menina sente que suas ações podem impedir a destruição da sua terra natal. Rei, a protagonista dessa história, terá que superar uma grande perda para poder desenvolver a coragem necessária para interromper o avanço do Monstro Gigante que assola a costa do Japão. SkoobCompre.

Leito Hospitalar (Drama): Leito Hospitalar narra a trajetória de Israel, um menino de onze anos de idade que tem que lidar com uma internação repentina. Para uma criança, o cotidiano hospitalar pode ser traumatizante. SkoobCompre.

Zumbis em uma Nave Espacial (RPG, Aventura e Humor): O Mestre rola os dados e a aventura começa! Em meio um grande embate intergaláctico muita coisa pode acontecer... até mesmo ZUMBIS EM UMA NAVE ESPACIAL! SkoobCompre.

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